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Em 1840 chegou em Torre de Pedra o Sr. Quirino José de Ávila, também conhecido por Quirino Ferreira de Almeida. Quirino era da família do Comendador Domingues Faustino Correia, que foi o primeiro homem do Brasil a receber o título de Comendador, das mãos de Dom Pedro II.

O Comendador nasceu em 04/10/1790, era descendente de espanhóis e muito rico, comercializava ouro e pedras preciosas, viajava muito, conhecia muitos países, todos os estados do Brasil e morou em Minas Gerais. Em uma de suas andanças pelo Brasil, por volta de 1830, passou por Torre de Pedra.

O Comendador faleceu em 1873, deixando um testamento para ser aberto cem anos após sua morte.

Foi o maior e mais comentado testamento da América Latina, mostrado inclusive como curiosidade no “Fantástico” (Rede Globo). Aberto em 1973 seus herdeiros, por mais que provassem nada conseguiram, pois os bens passaram a pertencer aos que fizeram a usucapião.

O Sr. Quirino chegou na Torre de Pedra, vindo da cidade de Castro, estado do Paraná, era viúvo, muito rico e trouxe com ele quatro filhos: José Núncio; Nhá Rozenda; Antonio e Nhá Ambrozina.

Tão logo chegou aqui comprou mil alqueires de terra, casou-se com Maria Tereza de Jesus e tiveram dez filhos: Onório; Manoel; Virgílio; Faustino; Gerônimo; Joaquim; Maria; Rita; Ana e Rafaela.

Começou então a construir sua fazenda e o lugar foi se desenvolvendo gradativamente com a chegada de outras famílias, que também construíram suas fazendas.

Seus filhos casaram-se com: José Núncio com uma filha de Elói da Mota; Antonio com Nhá Firmina; Nhá Rozenda com Reduncino Souza; Nhá Ambrozina com Francisco Fiúza; Onório com Ângela, também filha de Elói da Mota; Manoel e Virgílio com filhas da família Muzzel; Faustino com Ana Barbosa; Joaquim com Rosalina; Rita com Justino Rufo; Ana com Joaquim Jacob Hessel; Rafaela com Cezefredo Pires de Camargo; Gerônimo e Maria morreram ainda jovens; Os casamentos eram acompanhados por pessoas a cavalo que faziam filas enormes de acompanhamento atrás do noivo com sua noiva na garupa. As festas eram alegres e todos se divertiam.

E assim crescia a população, as pessoas eram unidas como Vadozinho de Almeida, Quirino e Elói da Mota, que tinham uma grande e forte amizade.

Também eram trazidas tropas do Rio Grande do Sul, pelos gaúchos: Juvenal; Cirineu e Fontoura. Foram formando-se bairros populosos.

No bairro das Palmeiras já havia uma igreja, um campo de futebol e tinha também raia. No ano de 1900, Onório Trindade de Ávila, loteou a Vila de Torre de Pedra, que na época deu o nome de Bairro dos Quirinos, onde já existia a Capela da Igreja Católica, de peroba vermelha, construída em 1850 pelo carpinteiro Nato dos Santos. Alguns anos depois foi construída uma outra em alvenaria por Francisco Pedroso e o terreno foi doado por Nhá Rozenda.

Não havia comércio, todas as compras, casamentos, diversões eram feitos em Guareí, até os defuntos iam para lá em redes.

Aqui se produzia quase tudo. Lá fora o que se buscava era sal e querosene. As safras foram crescendo e eram levadas em lombo de burro ou carro de bois para Tatuí. Eram viagens sofridas e duravam vários dias.

Ao lotear a Vila, Onório fez também o cemitério, no qual foi o primeiro a ser sepultado. Onório faleceu novo. Naquele tempo morriam por falta de recursos, como no caso de um amansador de burro bravo, Sr. Juvenal de Camargo, que caiu em cima da perna quebrando-a e logo depois morreu de gangrena.

 

 

 (FOTO VILA DE TORRE DE PEDRA 1942)

Em 1906 formou-se a Igreja Presbiteriana Independente. Em 1914 chegou em Torre de Pedra o Pastor Uriel Antunes Moura da Presbiteriana, este era como um médico e muito querido por todos. Cuidava de todos e doava remédios, mandando até buscar no Rio de Janeiro, caso não tivesse aqui. Assim salvou muitas vidas. Uriel fazia muita lavoura e as pessoas faziam mutirão para ajudá-lo na colheita. Era impressionante, vinha tanta gente que às vezes só na parte da manhã era feita uma colheita em muitos alqueires de terra.

Ele chegava a matar um boi no almoço só para alimentar a turma do mutirão. Ele era realmente muito querido, hoje há um outro Uriel, que lhe foi dado o nome de Uriel Trindade de Ávila, em homenagem ao Pastor Uriel.

Em 1915 as aulas eram ministradas em casas particulares e as professora vinham de fora, como no caso da professora Orminda Muzzel, que vinha de Itapetininga. Mais tarde a professora Orminda casou-se com o Pastor Uriel que havia ficado viúvo de Alice Moura. Em 1937 o Pastor Uriel mudou-se para Itapetininga, onde morou até sua morte.

O solo era muito fértil, plantava-se feijão, milho, algodão, mas o que predominava na região era a criação de porcos e de cabras. Nessa época haviam fortes sitiantes: Salvador M. de Almeida (Vadozinho de Almeida) era atacadista, estocava cereais e vendia fora daqui. Antonio Martins de Almeida e João Martins de Almeida, fabricavam açúcar. Francisco da Mota (Fabiano) tinha monjolo, fazia farinha e limpava arroz. Manoel Soares Silva (Neco Bernardes) e Saulino Jacó, criavam porcos e levavam para serem vendidos em Itú e Araçoiaba da Serra, a jornada era dura e difícil, lentamente e com muita paciência iam eles tocando a porcada.

Ao anoitecer eles paravam, montavam acampamento, preparavam suas comidas e dormiam, para seguir viagem no dia seguinte. Viagem que duravam vários dias, depois eles iam até Santos comprar sal. Traziam suas bruacas cheias de sal.

Havia também os Delegados de Bairro, como o conhecido Frazio Vieira. O primeiro comércio da Vila foi o de Antoninho Coração, irmão da Minata, ele era muito rico e fez uma linda casa onde agora é a Congregação Cristã no Brasil. Antoninho coração dava grandes festas, trazia circos de touradas, teatro de marionetes, divertindo muito a população.

Em 1923 a Igreja Presbiteriana mudou do bairro dos Jacó para o centro da Vila. O primeiro carro a vir na Vila, foi a jardineira de madeira de Gênio Martins. Mais tarde veio um caminhão e um Fordinho 1929. A primeira padaria era da Nhá Firmina. Havia também valentes amansadores de burro bravo: o espanhol Julião Gonçalez; Tunico Luzia; Feta Gomes.

O espanhol Julião Gonzalez deixou quatro gerações de amansadores: Custódio; Zézico; Josino e Zé Elias. Zé Elias está ainda hoje na profissão, juntamente com Cuia; Paçoca; Amós e Osni. Juvenal Nunes Pereira era Juiz de Paz e empreiteiro de estradas. Conseguiu com a ajuda d a população, fazer a estrada para Guareí e também a estrada do Calcário à Torre de Pedra por dentro, via terra.

Em 1932 chegaram os alemães e um francês chamado Alfredinho, que ensinou o povo a cultivar batatas. Enquanto permaneceram aqui, moraram de aluguel na bonita casa do Antoninho Coração. O plantio de batatas deu tão certo que a safra foi um fenômeno (deu batata de até 1 kg) e eram levadas para Tatuí em carros de boi. A viagem era demorada, entre dois à três dias. Quando chovia o barro era imenso, só os corajosos carroceiros é que enfrentavam a estrada para levar ou buscar o que precisavam em Tatuí.

Houveram duas grandes tempestades em Torre de Pedra. A primeira foi 1927, matou aves e desfolhou árvores, mas em 1934, no dia 7 de setembro foi a segunda e maior tempestade já vista por aqui, durou cinco minutos, causou grandes estragos, uma verdadeira calamidade.

O Sr. Laurindo Trindade de Ávila era mocinho na época e conta que o céu escureceu como se fosse noite, ele tenteava fechar a porta de sua casa, mas o vento não deixava, então ele via o vento levando folhas, galhos e arrastando tudo que estava na frente.

Duas mulas que pastavam, vieram de encontro a sua casa e ficaram ali, coladas na parede. Foi de causar medo, destelhou quase todas as casa nos arredores da Vila, derrubou a Olaria do Marçal, destruiu mais de vinte casa, matou pássaros, galinhas, porcos e cabras, pois as pedras eram iguais à bolinha de gude ou até maiores.

Nafitali e Juvenil eram ainda crianças, estavam na estrada e foram surrados pela chuva. Quase morreram. Mas o Pastor Uriel os salvou. Destruiu a casa de Zeca Doca e ainda carregou seu filho de nove anos de idade, por alguns metros. A casa do Beco Rafé (Norberto, filho de bugre com alemã) foi violentamente destruída, matando cabras de leite e porcos que tentavam se esconder da tempestade. Norberto tinha também muitos cães. Seu filho Artílio tinha um cavalo que foi levado pelo vento e ficou atolado no brejo, quando foi retirado de lá não pode mais andar e teve que ser sacrificado.

A tempestade parecia mais um furacão, arrancou grandes taiuveiras com raiz e tudo e até hoje existe coqueiros defeituosos por aquela chuva. No dia seguinte, após a tempestade, notaram que alguns gados foram trocados de pasto sem que a porteira fosse aberta, deduzindo-se então que o gado fora levado pelo vento.

Passaram dois dias sem se ouvir o cantar de pássaros. Quinze dias depois, ainda se encontrava gelo nos vales, coberto por folhas. Silvino Nucio e Belmira sua esposa, tinham uma pensão e Belmira era costureira também. Como não havia luz elétrica, para costurar à noite Belmira colocava uma lamparina na cabeça, o que causava grane admiração na criançada.

Em 1936 houve o primeiro batismo da Congregação Cristão no Brasil e por muitos anos eles congregaram em casas particulares. Até que em 1951 foi inaugurada a primeira Congregação, onde está até hoje. No bairro dos Lemes formaram dois times de futebol, o “Guarani” e o “Cruzeiro” e tinham também raia feita por João Pedro Ribeiro, filho de Tunico Luzia.

Por volta de 1940, instalava-se no Bairro da Mina a Companhia Brasileira de Petróleo “Cruzeiro do Sul”. O Engenheiro Minerologista responsável era um americano chamado Dr. Constantino Badesco Dutza, que ficou muito conhecido por todos da região. Todos contam com orgulho e saudade, como foi emocionante quando dois enormes barris de petróleo da Companhia cruzou a Vila. Contam também do apito da Companhia que era ouvido por toda essa região. A companhia começou a vender ações e tudo funcionava muito bem, até que um certo dia deixaram cair uma broca na perfuração e a mina foi simplesmente lacrada.

Nesta época circula pela Vila a jardineira de José Vieira de Campos. Tinha também luz elétrica trazida por gerador que era desligado todos os dias às 22:00 horas. A água vinha das terras de Calino Leme até um reservatório próximo onde hoje é a Igreja Brasil para Cristo, de lá foi canalizada até a casa do João Moises, onde formavam grandes filas de pessoas com vasilhas para abastecerem seus lares. A energia elétrica através da CESP, chegou em 1963. A água encanada através da SABESP, chegou em 1978.

(FOTO VILA DE TORRE DE PEDRA 1972)

Em 1963 abre-se uma nova fonte de trabalho. A Construtora Andrade Gutierrez empreitou do Governo do Estado, a construção de 30 Km de estrada, atual Rodovia Castelo Branco. Na altura do Bairro do Saltinho foi montado um alojamento para quatrocentos homens funcionários.

A Gutierrez gerou emprego para mais de cem pessoas da Vila. O comércio aumentou, pois todos gastavam aqui. Tinha Clube dançante que também funcionava como cinema. Tinha também a Pensão do Dóro. A Construtora ficou instalada aqui por sete longos anos.

Muitas moças daqui casaram-se com funcionários da construtora, alguns acompanharam a empresa quando esta foi embora. Outros ficaram aqui e ainda hoje trabalham para Gutierrez.

Manelão conta: O dia mais frio que os habitantes tiveram aqui, foi 26 de junho de 1976, ninguém saiu de casa porque “Nevou em Torre de Pedra”. A cidade continua a crescer, agora com mais impulso, em 1989 foi aberto um novo loteamento bem próximo da Vila.

Em 1991, no dia 27 de outubro houve a votação do plebiscito, e, quase que unanimente dissemos “SIM” nas urnas, para a emancipação político-administrativa. Pela vitória alcançada neste dia é que foi escolhido 27 de outubro para comemorarmos o aniversário da cidade.

Este texto foi adaptado do original cedido gentilmente pela Sra. Maria Cecília Marques Adam que, para nos contar esta história teve a colaboração do Sr. Laurindo Trindade de Ávila (Seu Loro), nascido em 1912, do Sr João Pedro Ribeiro, nascido em 1920 e do Sr. Uriel Trindade de Ávila, nascido em 1926. Ivone Marcon Rodrigues, Nelson Noberto, a quem agradecemos a gentileza.

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